Coluna Clikando – Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo!

Por: Gabriel Bagliotti*

No último final de semana assistimos boquiabertosaos mais diversos atos e manifestações que ocorreram nas mais diversas cidades do Brasil, inclusive em algumas localidades da nossa região. As manifestações inicialmente tinham como foco, solicitar a volta das atividades em virtude do fechamento de comércios não essenciais devido à pandemia do novo Coronavírus.

Mas infelizmente o plano de fundo das manifestações, em muitos lugares,foi em apoio ao retorno da ditadura militar no Brasil. Pra quem não lembra, o regime militar foi instaurado em 1 de abril de 1964 e que durou até 15 de março de 1985, sob comando de sucessivos presidente  militares.Além disso, o regime pôs em prática vários Atos Institucionais, culminando com o Ato Institucional Número Cinco (AI-5) de 1968, que vigorou por dez anos.

O ato dava ao presidente, entre outras prerrogativas extraordinárias, o poder de cassar mandatos de políticos, de fechar o Congresso, suspender o instituto do habeas corpus, impor censura prévia à imprensa, às artes e espetáculos, aposentar compulsoriamente professores universitários e prender dissidentes, enfim tudo o que fosse necessário para apagar qualquer vestígio de oposição ao governo.

O que deixou mais assustado foi à participação do presidente da república senhor Jair Messias Bolsonaro, em um dos atos no distrito federal.

Bolsonaro cumprimentou diversos manifestantes, ação não recomendada em virtude das medidas de isolamento social, devido à pandemia da Covid-19, chegando até a discursar em um carro aberto.

Como forma de divulgar suas atitudes o presidente fez uma “Live” em uma de suas redes sociais. Sendo que nas imagens, era claro faixas com menções em apoio ao AI-5 e a ditadura.

Aqui, quero relembrar um celebre discurso de um dos grandes políticos que o Brasil já teve Ulisses Guimarães, podemos dizer o pai da nossa Constituição. Promulgada em 1988 e que condena toda forma e apoio a ditadura.

“Declaro promulgada. O documento da liberdade, da dignidade, da democracia, da justiça social do Brasil. Que Deus nos ajude para que isso se cumpra!”, disse Ulysses pouco antes de os constituintes – que a partir de então passariam a exercer função de congressistas – jurarem “manter, defender, cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”.

Em seu discurso, Ulysses advertiu que a recém-promulgada Carta não era “perfeita”.

“Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca”, declarou o presidente da assembleia. “Traidor da Constituição é traidor da pátria. (…) Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo. Amaldiçoamos a tirania onde quer que ela desgrace homens e nações. Principalmente na América Latina.”

Desta forma, acredito que mesmo em tempos difíceis, em tempos onde muitas vezes a corrupção fala mais alto, nas mais diversas esferas políticas e empresárias devemos sempre lembrar que a democracia é a melhor forma de poder! Pois só em uma democracia podemos expressar as nossas ideias e pensamentos.

Vale disser, que até as próprias autoridades militares reprovaram a participação de Bolsonaro em ato antidemocrático. Neste momento de pandemia e isolamento social o Brasil vive uma guerra no combate ao vírus e não sonhar com a volta de um regime que não deixou saudades a ninguém!

*Gabriel Bagliotti é jornalista e diretor presidente de O Defensor