Frente em Defesa da Mulher trabalha para reduzir violência e desigualdade de gênero

Grupo, que integra deputadas de diferentes partidos, foi lançado na Alesp no último dia 11/09.

As cidadãs paulistas passam a contar com um importante espaço institucional para reforçar a luta pelos seus direitos. Foi lançada, no último dia 11 de setembro, a Frente Parlamentar em Defesa das Mulheres, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

O evento contou com a presença de aproximadamente 400 pessoas. Entre as integrantes da mesa de debates, nomes como a cantora Ana Cañas, a ex-ministra de Políticas para as Mulheres Eleonora Menicucci, a escritora Juliana Borges e professora de sociologia da Universidade de São Paulo (USP) Eva Blay, ex-senadora e pioneira nos estudos sobre a questão de gênero no Brasil.

A criação da Frente em Defesa da Mulher foi uma iniciativa de Beth Sahão (PT). Além dela, o grupo integra parlamentares de diferentes partidos e tem por finalidade debater e propor políticas públicas voltadas à redução da desigualdade de gênero e da violência sobre a mulher, em São Paulo.

A autora da frente lembra que, apesar dos avanços significativos alcançados pelas mulheres ao longo das últimas décadas, ainda existem grandes desafios a ser transpostos, especialmente em tempos de crise, quando os direitos femininos passam a sofrer fortes ameaças.

“Infelizmente, vivemos tempos obscuros, em que grupos reacionários voltam sua fúria contra os direitos das mulheres e das minorias. Com isso, conquistas duramente obtidas passam a ser ameaçadas. Para tanto, basta observar medidas recentes como a Reforma da Previdência, por exemplo, que traz enormes prejuízos às trabalhadoras. Ou mesmo o desemprego, que afeta mais as mulheres”, afirma Beth.

Na avaliação de Beth, a Frente Parlamentar também servirá para fazer contraponto ao discurso conservador, que busca naturalizar as desigualdades e a discriminação de gênero. Na avaliação dela, o discurso misógino das autoridades tem servido de incentivo para a explosão da violência sobre a mulher no País.

“Pegue o caso dos feminicídios, que tiveram uma explosão nos últimos meses, especialmente em São Paulo, onde foram registrados 227 casos, de janeiro a julho deste ano. Estamos diante de um quadro assustador, que requer ações urgentes”, pondera a parlamentar. Entre as medidas defendidas por ela, estão as delegacias da mulher 24 horas, funcionando de maneira ininterrupta, inclusive aos sábados, domingos e feriados.

Beth é autora do projeto que visa estender o funcionamento de todas as delegacias da mulher no Estado, no modelo 24 horas. A proposta foi aprovada por unanimidade na Assembleia, no fim do ano passado, mas acabou sendo vetada pelo governador João Doria (PSDB). A Frente Parlamentar vai intensificar a mobilização em torno dessa e de outras iniciativas, para que se tornem lei e beneficiem as paulistas.