Câmara cria CPI para investigar desmonte do Museu Histórico Municipal ‘José Martins Sanches Filho’

Na sessão da Câmara de Taquaritinga realizada ontem (6 de maio), os vereadores aprovaram o Projeto de Decreto Legislativo que cria uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para tratar de assuntos relacionados ao acervo do Museu Histórico Municipal José Martins Sanches Filho. A iniciativa foi dos vereadores Marcos Bonilla, Dr. Eduardo Moutinho, Genésio Valensio, Juninho Previdelli e Tenente Lourençano.

Inaugurado no dia 17 de maio de 2008 em um prédio alugado, o museu foi desmontado seis anos depois porque o imóvel seria demolido para a construção de uma agência bancária. De lá para cá, muitas peças do acervo se perderam – algumas, inclusive, teriam sido levadas para um barracão do Jardim Botânico que pegou fogo.

De acordo com Bonilla, a CPI se valerá do trabalho de uma comissão montada pela Câmara em 2016, cujo propósito era resgatar a memória do município e dar diretrizes para a reorganização do Museu. Entre as ações, a Comissão visitou o Núcleo Administrativo Imperial e verificou que havia um depósito de peças sem qualquer proteção, no chão e em uma estante de aço. Na época, o imóvel era locado pela Prefeitura.

A CPI será composta pelos vereadores Marcos Bonilla, Genésio Valensio e Juninho Previdelli. Eles poderão realizar diligências e tomar depoimentos de pessoas envolvidas tanto na montagem quanto na desmontagem da estrutura.

O museu – O patrono do museu foi professor, bancário, escritor e colunista de O Defensor. José Martins Sanches Filho (1948-2007) ocupou as Secretarias da Educação e da Cultura, onde incentivou a montagem do espaço dedicado ao passado da cidade em que veio morar na infância (ele era natural de Fernando Prestes). Apesar da Lei 836, de 2 de agosto de 1967, sancionada pelo prefeito Waldemar D’Ambrósio, ter instituído o Museu Municipal no papel, houve um hiato de 41 anos entre a criação e a instalação.

O local contava com um acervo de quadros, móveis, peças, objetos e moedas antigas. Quem o visitava podia contemplar uma capa de chuva que pertenceu a um presidente da República, Jânio da Silva Quadros, da época em que ele ainda era professor em São Paulo. A capa fora um presente dado por ele, em 1948, para o taquaritinguense Nelson Roberto, que residiu na capital e era barbeiro de uma das figuras mais excêntricas da política nacional.

O vereador Marcos Bonilla foi secretário da Cultura na época em que o museu estava de portas abertas e era uma das poucas atrações turísticas e memorialísticas da cidade. Foi ele o grande incentivador da criação da CPI que acaba de ser aprovada – e também integrou o grupo legislativo criado em 2016, a convite do então presidente da Câmara Luisinho Bassoli.

A galeria de prefeitos, que até então estava no Paço Municipal “José Romanelli”, também passou a fazer parte do acervo do museu. Os quadros foram pintados por Alexandre Pelichieiro e Oscar Walzachi, ambos falecidos. As telas voltaram para o hall da Prefeitura, após o fechamento do museu.

Também possuía um arquivo de 278 fotos preto-e-branco, em tamanho A4, que retratavam praças e edifícios, ruas e avenidas, personagens, comemorações cívicas, a construção da Igreja Matriz de São Sebastião e eventos realizados na cidade. As fotos foram catalogadas pela professora Cecília Marin Anselmo para uma exposição realizada no início da década de 1990.

Quem passava em frente ao museu, que tinha sua fachada voltada para a Praça Dr. Waldemar D’Ambrósio, podia admirar algumas peças, como um canhão de guerra, uma máquina de impressão de 1915, uma sementeira e uma máquina de compactação fabricada em 1952, que fora utilizada para pavimentar as primeiras ruas asfaltadas de Taquaritinga.

Era possível, ainda, deparar com um grande número de peças, entre elas, o primeiro modelo de telefone celular lançado no país, o primeiro videogame Atari, várias máquinas de costura e de escrever, telefone à manivela, ferro de passar roupa a carvão, filtro de água de pedra, os primeiros computadores, uma tesoura de alfaiataria, chaleiras, entre outras peças raras.

O que não pode deixar de ser lembrado entre as peças do acerco é o primeiro documento oficial da história de Taquaritinga, de Bernardino José de Sampaio, o principal fundador da cidade de Taquaritinga. Em 1868, Bernardino doou 15 dos 64 alqueires para a formação do povoado.

O quadro exposto no portal do museu, produzido pelo pintor Washington Maguetas, retrata a primeira missa em Taquaritinga. Acerca dessa tela, há uma história curiosa: ela estava abandonada no porão da Prefeitura, de onde fora resgatada há cerca de 25 anos pelo então secretário de Formação Social Miguel Anselmo Neto, na segunda administração do prefeito Tato Nunes (1993-1996).

Sala Madalena Olivastro – No Museu Histórico havia móveis, objetos, livros, porcelanas e pinturas que compunham a Sala Madalena Olivastro. Ela abrigava peças diversificadas, de inúmeros locais e idades. Madalena Olivastro, advogada e artista plástica, presenteou a cidade com peças raras, de importância e valor históricos. Ela fez doações de parte do seu acervo pessoal também para outros municípios.

Peças em exposição no museu que funcionou em prédio que era localizado atrás do Santuário de Nossa Senhora Aparecida