Nossa Palavra: A periferia à margem da história

Houve um tempo em que moradores de bairros locais tinham vez e voz. Cidadãos dos arrabaldes aglutinavam-se em torno de associações para defender direitos. Havia o Conselho de Segurança (Conseg) com a participação da comunidade.

O poder popular efetivamente era representado em suas reivindicações básicas. Centros Comunitários ofereciam atendimento de qualidade a moradores. Se não era o ideal, pelo menos caminhava-se a passos largos para o necessário.

Hoje, a periferia está jogada às traças. Maquia-se a área central só para inglês ver e o padre passar. O que se vê é um desprezo para com as coisas públicas dos bairros. Os espaços públicos na periferia têm que merecer melhor atenção da administração local. O que se ouve é a periferia pedindo socorro. Oposto ao que vem acontecendo na atualidade: não são os bairros que devem ser levados para a Cidade, mas sim e Cidade que deve ser levada para os bairros.

Repousam na periferia criações artísticas e sociais – iniciativas que não dependem do Executivo: são reuniões da comunidade em torno da música (funk e pagode), literatura (cordéis e repentes) e até mesmo representações teatrais que refletem a sua – deles – própria realidade.

Dar vez e voz à periferia é dever ético dos representantes do povo. E isso serve também para as autoridades do Poder Executivo.