Nossa Palavra – Passos de Tartaruga

Os apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) mostram uma Taquaritinga à deriva, apesar dos esforços das autoridades constituídas. Muitas obras paradas, na casa de 20, mereceram atenção especial do órgão responsável pelo controle das contas públicas. Isso não quer dizer, necessariamente, que os administradores municipais de plantão não tenham boas intenções. Pelo contrário, o problema vem de longe, talvez décadas. Quando o prefeito Vanderlei reclama que todos abacaxis sobraram para ele descascar, Mársico não está errado.
A população sabe de cor da honestidade e perseverança do alcaide, mas infelizmente no serviço público as coisas funcionam assim: a toque de caixa. Ao contrário do serviço privado, onde o empresário usa seu dinheiro a bel prazer, nas ações públicas a burocracia emperra as decisões com licitações e prestações de contas. O trabalho patina e não anda. Vejamos o exemplo da Praça da Juventude, que é a maior das obras estranguladas na Cidade. O recurso para a continuidade da obra (maravilhosa, por sinal) vem do governo federal – que a gestão anterior quase deixa perder por relapso incontrolável. A insistência do prefeito Vanderlei, mais seu vice Luiz Fernando e o secretário de Obras Luís Carlos Lourençano foi providencial para que Taquaritinga continuasse a receber verbas da União.
Por pouco o Município não leva para o buraco o trabalho feito pelo então secretário na época, Alexandre Cherno. Seria lamentável. Com isso, a Cidade foi ficando para trás em matéria de obras. Lógico que todo chefe de Executivo gostaria de inaugurar prédios públicos em véspera de eleição, como acontecerá em 2020, ano que vem, mas se não bastasse a burocracia ainda vem as empreiteiras com suas chorumelas semelhantes. Sem mais nem menos, elas paralisam os serviços se não recebem em dia o valor previsto e deixam a obra pela metade. Uma coisa que o povo não entende é como não acontece nenhuma penalidade sobre essas empreiteiras. Coisas do Brasil, fazer o quê? Então o abacaxi tem que ser descascado pelo Executivo e pela Câmara de Vereadores e não tem conversa.
Como uma espada de Dâmocles, a lei da improbidade administrativa pende sobre a cabeça do prefeito e do presidente do Legislativo. É o pega para capar da nova política tupiniquim. O prefeito Vanderlei tem carradas de razão quando choraminga junto ao Ministério Público (MP) quanto às ameaças que recebe se não cumprir as ordens judiciais. Não existem mais as famosas verbas a fundo perdido como antigamente. Isso era no tempo do ex-governador Paulo Maluf quando não era necessário explicar o que tinha sido feito com o dinheiro recebido. Agora não: ou presta contas, ou vai para a cadeia. Como o prefeito Vanderlei age na legalidade, presta contas de forma absoluta e explica até o nó górdio da burocracia que emperra as obras públicas, suas ações se tornam transparentes aos olhos da comunidade. Com isso, aparecem mais erros e defeitos do que o normal e o atual gestor se vê, geralmente, em palpos de aranha.
Trabalhar honestamente, todos sabemos, não é fácil. Requer uma dose extra de equilíbrio, jogo de cintura e bom senso. Embora esteja recheado de qualidades, o prefeito de Taquaritinga não é de dar a mão a palmatória. Ou seja, Mársico não é político, é empresário com certeza – e a distância entre ambos tem quilômetros de estrada. O alcaide fala que pretende ser candidato a reeleição. Não deveria. Ele somente vai somar doenças na sua vida até então saudável. Como a hipertensão arterial que já adquiriu e vira e mexe tem que passar por internações e exames médicos.
Quem conhece o chefe do Executivo sabe que o seu forte é o empreendedorismo. Deveria deixar a política partidária para os políticos. Aqueles que sabem dar nó até em fumaça, são do ramo. Vanderlei é muito “certinho” para ser político – e isso é um elogio nessa altura do campeonato. Ao querer explicar as dezenas de obras paradas, o alcaide cai em profunda ansiedade. Tenta solucionar todos os problemas de uma tacada só, mas as obras públicas não comportam pressa. Andam a passos de tartaruga. Esbarram em mil obstáculos. Já as massas populares são imediatistas, querem tudo para ontem. Se o prefeito Vanderlei quiser acompanha-las, vai morrer louco. Ou infartado.

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