Artigo: Segurança – construção civil pede reforço

Por: Pedro Geraldo Fernandes Camilo

Não é de hoje que são levantados debates em torno da necessidade de proporcionar um ambiente mais seguro para trabalhadores de todas as áreas. O Abril Verde é mais uma iniciativa instaurada no calendário para lembrar as empresas e os profissionais de zelarem por sua integridade.

A data nos faz refletir sobre a situação do Brasil no cenário global. Somos o quarto país no ranking mundial de acidentes de trabalho. A cada três horas e trinta minutos, um trabalhador perde a vida pela falta da cultura de prevenção à saúde no ambiente corporativo, segundo o Ministério Público do Trabalho.

A construção civil é um dos setores que exigem um olhar ainda mais cuidadoso. De acordo com estatísticas da Previdência Social, em 2017, o segmento estava atrás apenas do setor de transportes rodoviários e cargas na quantidade de acidentes.

O problema atinge os dois lados da corda: o profissional, que não encontra no local de trabalho a segurança de que poderá cumprir com suas obrigações de maneira íntegra, e as empresas, que além de arcarem com despesas ocasionadas pela fatalidade, passam a carregar o estigma de organizações que deixam a desejar quando o assunto é segurança em obras. A situação traz prejuízos para a conquista de novos clientes e a ampliação do quadro de funcionários.

Os indicadores estão aí para mostrar que não podemos tapar os olhos para a necessidade crescente de profissionais especializados em promover a saúde e a segurança dos trabalhadores em canteiros de obras.

Somente dessa forma conseguiremos retirar a lupa colocada sobre o Brasil, quando falamos em perdas de vidas vinculadas à rotina de trabalho. Na esfera pública e na privada, o controle de riscos dos processos construtivos e a conscientização da necessidade de utilizar os equipamentos e as máquinas da maneira correta precisam ser fomentados diariamente. E exigem dos encarregados bagagem teórica e prática para que esses pontos sejam cumpridos com excelência.

Apesar de todas as campanhas de conscientização do problema, ainda há empresas que acreditam que o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (Sesmt), cuja função principal é proteger a integridade física e mental dos servidores, é apenas parte de um pacote burocrático para atrasar os processos e dificultar a consolidação do seu negócio.

O que não é verdade! Já é hora de cessar as dúvidas e dar espaço à implantação de uma consciência coletiva de que o local de trabalho deve ser sinônimo de preservação e confiança.

Para as construtoras, a dica ainda vai além. Com os cuidados representados pelo SESMT, podemos apontar alguns benefícios, como a redução do absenteísmo e o baixo índice de funcionários que adquirem doenças no ambiente de trabalho.

Esse cenário modifica, inclusive, a produtividade e o lucro das empresas. Afinal, trabalhadores saudáveis são mais produtivos e impactam diretamente na questão orçamentária. Até mesmo prazos e resultados de obras podem ser otimizados quando zelamos pelo bem-estar corporativo.

A questão é: precisamos de mais profissionais com especialização técnica em segurança do trabalho na construção. Há cursos direcionados para o setor e, a cada dia, as empresas olham com mais interesse para essas qualificações.

* Pedro Geraldo Fernandes Camilo é docente da área de segurança e saúde no trabalho do Senac Jaboticabal.

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