YouTube: Momo aparece em vídeos de slime e ensina as crianças a se suicidarem

Professora relata como descobriu que sua filha teve acesso ao boneco assustador enquanto assistia a alguns de seus vídeos favoritos no aplicativo.

O que parecia ser só mais um vídeo de criança brincando com slime, de uma hora para outra, torna-se um verdadeiro filme de terror. Isso porque as imagens fofas são interrompidas pelo assustador personagem Momo, com cenas terríveis que ensinam, passo a passo, como as crianças devem fazer para, literalmente, cortar os pulsos.

Esse mesmo vídeo, que burla os algoritmos de segurança até do próprio YouTube Kids, chegou ao conhecimento da  professora e produtora de conteúdo Juliana Tedeschi Hodar, de Campinas (SP), por meio de um grupo de WhatsApp da família do marido, o administrador de empresas Juan Hodar, que propôs uma conversa em casa para orientar a filha, Bianca, de 8 anos, sobre o conteúdo desses vídeos.

Mais tarde, quando o casal sentou para conversar com a filha, veio a surpresa: Bianca já havia assistido o vídeo cerca de três vezes e estava muito assustada e amedrontada com o que vira. “Assim que começamos a conversa, ela teve uma crise de choro e não conseguia nem falar. Fomos acalmando-a e então ela contou que já tinha acontecido de ver a Momo. Disse também que estava com muito medo de dormir sozinha, de sonhar com a personagem ou de vê-la saindo de dentro do armário. Foram minutos bem complicados para nós”, conta a mãe.

Para dar mais segurança à filha, Juliana dormiu junto dela, após explicar que todo aquele terror não passava de uma mentira, afinal, a Momo jamais apareceria de verdade para ela. “Pedimos que, se acontecesse novamente, era para ela pausar o vídeo e nos chamar. Como essas imagens aparecem de maneira aleatória, essa seria a forma de denunciarmos o vídeo”, diz. A mãe conta que Bianca sempre foi muito doce, apegada aos pais e carinhosa, por isso, eles não notaram que a necessidade de ficar perto dos pais escondia um motivo maior.

Seguro para crianças? – A maior surpresa do casal foi que eles já haviam colocado filtros nos vídeos, deixando-os no modo restrito, e as crianças só tinham acesso aos conteúdos do YouTube Kids. “Achamos que assim eles estariam mais seguros. Mas agora vamos redobrar ainda mais os cuidados e supervisionar ainda mais de perto o que assistem”, afirma a professora.

O YouTube se manifestou com uma carta, em que conta a história da aparição do boneco e diz:

“Muitos de vocês compartilharam suas preocupações conosco nos últimos dias sobre o Desafio Momo – prestamos muita atenção nisso. Depois de muita análise, não vimos nenhuma evidência recente de vídeos promovendo o Desafio Momo no YouTube. Vídeos incentivando desafios prejudiciais e perigosos são claramente contra nossas políticas, incluindo o desafio Momo. Apesar dos relatos da imprensa sobre esse desafio, não tivemos links recentes sinalizados ou compartilhados conosco do YouTube que violem nossas Diretrizes da comunidade.

Vale lembrar que o próprio YouTube Kids foi lançado em 2016 justamente para atender a demanda dos pais e da sociedade a respeito da segurança do conteúdo destinado às crianças. O aplicativo, porém, seleciona os vídeos através de um algoritmo que, aparentemente, pode ser burlado, resultando em produções impróprias. Para tentar corrigir a situação, em abril do ano passado, o Google anunciou que contrataria milhares de funcionários para trabalharem como curadores da plataforma infantil.

Fonte: Revista Crescer

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