Editorial: Não adianta reclamar, o jeito é reerguer o Município

Embora o prefeito Vanderlei, de Taquaritinga, tenha jurado de pés juntos que está em paz com seu vice Luiz Fernando (é que um jornalista local publicou que ambos estariam separados) as especulações não param no quartel de Abrantes. Agora dizem duma profunda mudança no primeiro escalão do governo municipal, a toque de caixa, o que significa que algo não anda bem nos corredores do Paço José Romanelli.

Se o chefe do Executivo está pensando em mudar é porque o ar que se respira na Praça Horácio Ramalho já não é de qualidade e deixa a desejar. Afinal, diz antigo ditado que em time que está ganhando não se mexe. Se vai mexer, é porque não está correspondendo. O alcaide atual ganhou de bandeja o secretariado exclusivo do ex-prefeito Paulo Delgado, que dera tão certo no governo do DEM. Mas cada administração pública tem sua marca e sua personalidade e com esse burgomestre que  aí está por certo não há de caminhar tão retinho.

Arestas precisam ser aparadas, já que no governo de Paulo os cargos eram ocupados por fieis escudeiros do jornalista-prefeito, que nem sempre se encaixarão nos propósitos do atual administrador. Paulo poderia não fazer, mas ouvia. Vanderlei não ouve e não faz. O chefe do Executivo sempre fez ouvidos moucos aos reclamos da população, quanto mais de seus asseclas que, na verdade, não são seus. Como os assessores de Vanderlei não são dele (e sim de Paulo) por certo o prefeito de Taquaritinga queira colocar gente de sua agremiação na boca do lobo, percebendo que nem mesmo na Câmara ele está conseguindo vingar.

Nem mesmo no Legislativo. Colocou sua liderança nas mãos dos vereadores que nos embates políticos, partidários eleitorais, nunca estiveram ao lado dele (Vanderlei). Para o atual alcaide, talvez seja mesmo importante essa remexida no primeiro escalão governamental: ele tem que colocar pessoas de sua confiança para assim ser possível traçar alianças de bom nível. Do jeito que está, Vanderlei não pode estender as mãos a ninguém sem perder os anéis (e talvez até os braceletes), pois passados já 15 meses oficialmente de sua posse não há perspectiva.

O prefeito, é certo, acena com a falta de dinheiro e com a demora legal das licitações que não deslancham, mas isso acontece em todas (e quaisquer) administrações que precisam enfiar a mão nas burras municipais. Não há dinheiro em caixa, ao contrário das empresas particulares. Instituições públicas dependem de verbas estaduais e federais, geralmente indicadas por parlamentares amigos do Município. Acostumado a lidar com suas firmas, o prefeito esbarrou nas lides públicas. Não pode mais fazer o que pretende, a seu bel prazer e isso faz com que Vanderlei patine no lamaçal das contas públicas.

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O que não se pode admitir é que tudo isso emperre a gestão municipal de alcançar seus píncaros. Apesar de o alcaide jogar a culpa em alguns vereadores da Câmara de Taquaritinga, o certo é que outros prefeitos governaram com uma oposição bem maior e se saíram bem. Foi o caso do próprio Paulo Delgado, que enfrentou uma oposição jamais existente na política taquaritinguense e mesmo assim superou, pelo menos no primeiro mandato, a tudo e a todos. A arte de governar não é segredo a ninguém.

Ninguém duvida que o atual burgomestre tenha boas intenções e bons propósitos para o Município voltar para os trilhos. Mas já falavam os padres de antanho: de boas intenções o céu está cheio. É preciso ação e mostrar a que veio. Não pode ficar contemplando promessas que foram empurradas a torto e a direito nessas décadas de mesmice e marasmo. A cidade espera um momento fulgurante para mostrar sua pujança e não pode ficar encontrando culpados aqui e acolá. O prefeito deve encontrar alternativas.

Sendo sincero com os munícipes, mostrando transparência nas contas públicas, priorizando gastos e benefícios, com certeza o prefeito de Taquaritinga sairá dessa. Em paz com seu vice e na coexistência com os nobres vereadores. Ficar lastimando as dívidas herdadas da gestão passada, chorar o leite derramado não é mais de bom alvitre. A porteira já foi arrombada e agora ninguém mais segura a boiada. O jeito, senhor prefeito, é arregaçar as mangas e botar as mãos na massa para construir.