Entrevista da semana: Conselheiro fala ao Defensor sobre o Clube Atlético Taquaritinga nesta temporada

 

Dr. Eduardo Moutinho explicou a situação complicada de se jogar a divisão mais deficitária do estado de São Paulo.

Na imagem: Fábio Girotto, o conselheiro Eduardo Moutinho e o secretário de Esportes Beto Girotto

O jornal O Defensor conversou com o conselheiro do Clube Atlético Taquaritinga (CAT), o Dr. Eduardo Henrique Moutinho, que revelou as dificuldades do estadual, no qual a equipe taquaritinguense participará a partir de abril.

Com poucos recursos financeiros, Eduardo Moutinho revelou uma mágoa com o antigo técnico cateano, Pinho, que levou a espinha dorsal para o Comercial de Ribeirão Preto, sendo que o mesmo dizia que a equipe formada em 2017, daria fruto em 2018. O conselheiro também falou sobre as mudanças que o Estádio Municipal “Dr. Adail Nunes da Silva”, O ‘Taquarão’, irá passar.  Leia na integra a entrevista.

O Defensor – Qual a expectativa da diretoria para a temporada 2018?

Dr. Eduardo Moutinho – A expectativa é que a Segunda Divisão seja um campeonato tão difícil quanto o do ano passado. Além das equipes tradicionais, que já disputavam essa divisão, como XV de Jaú, América de Rio Preto e São José (que já foi vice-campeão paulista), teremos a chegada de Grêmio Catanduvense, Comercial de Ribeirão Preto e Paulista de Jundiaí. Deveremos ter mais de 40 equipes esse ano. É o campeonato mais difícil do Brasil; longo e deficitário, um verdadeiro purgatório em que, infelizmente, o CAT foi parar. É preciso sair dessa divisão urgente.

O Defensor – O que esperar do arbitral da próxima quarta-feira (31)?

Dr. Eduardo Moutinho – Não deve ter muitas novidades. Atletas abaixo de 23 anos, grupos regionalizados na primeira fase, quadrangular na segunda e mata-mata daí pra frente. Será definido o valor das cotas que os clubes vão receber da Federação, o que só nos faz passar mais nervoso, pois o CAT não pega um centavo desse dinheiro que vai todo para a Justiça do Trabalho para pagar dívidas de gestões passadas. No ano passado, poderíamos ter recebido R$ 75 mil (R$ 35 mil pela disputa, R$ 30 mil pela classificação para a segunda-fase e mais R$ 10 mil pela classificação para o mata-mata), mas o bloqueio judicial deixa o clube sem esse recurso, o que é uma desvantagem enorme em relação aos adversários. Não é preciso apontar os culpados, mas é preciso que o torcedor saiba da real situação. A apresentação da Comissão Técnica e dos atletas deve ocorrer no dia 19 ou 26 de fevereiro. Teremos mais de 40 dias para a preparação, tempo, no nosso entender, mais que suficiente, se escolhermos os atletas certos que estão em atividade nas Séries A1, A2 e em outros estaduais.

O Defensor – Como foi pra vocês saberem que o Comercial tirou a espinha dorsal do CAT?

Dr. Eduardo Moutinho – Recebemos a notícia com naturalidade, cada um tem que buscar o que é melhor pra si. Se eles (treinador e jogadores) acharam que a vida será melhor no Comercial, é um direito deles. A mágoa que fica é que o treinador, em várias entrevistas, preparando uma desculpa caso não conseguisse o acesso, dizia “o time é pro ano que vem”. Se pensava assim, deixasse os jogadores aqui, até porque ele não trouxe nenhum deles, quando chegou estavam todos aqui.

Gostaríamos de contar com todos esses atletas, pois honraram a camisa do CAT em 2017, mas não podemos ser irresponsáveis e fazer uma pré-temporada gigante como essa que o Comercial está fazendo, afinal tudo custa dinheiro, salários, alimentação, aluguel… Os treinadores adoram começar antes (querem salário), mas quando chega o dia 10, a diretoria é que tem que se virar para pagar as contas. Eles não querem saber se não tem patrocinador, se não tem renda, se não vendeu camisa, querem receber, e aí começa a pressão. Em Taquaritinga acabou essa fase, não damos o passo maior que a perna e, por isso, não somos reféns de ninguém. O tempo dirá se o Comercial conseguirá fazer por eles em 2018 o que nós fizemos em 2017. Tomara que sim, eles merecem.

O Defensor – Estádio está tudo certo, não corremos riscos?

Dr. Eduardo Moutinho – Todos os laudos estão em dia até a data do arbitral. A data do Laudo da Vigilância está errada no site da FPF e já visamos o coronel Suita que vai alterar, basta abrir o laudo para ver a emissão e validade. O Laudo de Segurança também vence depois do arbitral, mas antes da estreia. O CAT já solicitou os novos laudos para Prefeitura, que é proprietária do estádio. O gramado está sendo cuidado pelo CAT e as demais dependências receberão cuidados da Prefeitura, à partir de segunda-feira. Uma novidade será a redução do campo de jogo que hoje tem 110 metros de comprimento por 70 de largura, para 105 por 68. É uma determinação da FPF para padronizar as medidas oficiais da FIFA. Além disso, o campo de jogo será levado para mais perto do alambrado, atendendo uma solicitação antiga dos torcedores. Como vereador, coloquei uma emenda impositiva de R$ 10 mil para que a Prefeitura libere o setor esquerdo do lado interditado para a torcida adversária que terá bilheteria, portão de acesso, sanitários e bar, totalmente independentes. Com isso, nossa torcida terá 4 portões para entrar e evitar o tumulto que foi no ano passado e o CAT economizará com policiamento, que em 2017 custou mais de R$ 20 mil.

O Defensor – Deixe seu recado para a torcida cateana!

Dr. Eduardo Moutinho – Queremos que o torcedor tenha a tranquilidade de que poremos nosso time, nossa cidade em campo, o que por si só, já é uma vitória. A qualidade dependerá de vários fatores, todos financeiros. Por isso, é importante que o torcedor vá aos jogos e compre a camisa oficial do CAT. São poucas as fontes de receita e essas duas são as principais. Em 2017 tivemos quase 20 mil pagantes nos 10 jogos e vendemos mais de 400 camisas. Todo dinheiro arrecadado com essas duas fontes de receita não cobrem sequer a metade das despesas de uma temporada (em 2017 durou 6 meses – de 9 de abril a 3 de setembro). Folha de salários com encargos (pagamos regularmente INSS e FGTS) representa mais R$ 40 mil por mês. Outros R$ 15 mil por mês são gastos com alimentação (são 40 homens consumindo mais de 3 mil calorias por dia cada um em 5 refeições diárias). Nos dois jogos fora, temos hospedagens e restaurantes, cerca de R$ 5 mil por jogo. Sorte que a Transmársico leva o time para todos os jogos e não cobra um centavo; fica em troco da propaganda na camisa. Nos jogos em casa não tem essa despesa, mas tem policiamento, seguranças, serviço de som na rua, no estádio… Só em despesas com a Federação, entre inscrição de atletas, transferência de clubes de outros estados e multas, foram mais de R$30 mil. Enfim, é uma estrutura que gera 40 empregos e em 2017 custou mais de meio milhão de reais. Portanto, o mínimo que o torcedor pode fazer é ir aos jogos, comprar a camisa oficial e valorizar e prestigiar os patrocinadores que estão na camisa e nas placas no estádio. São estas empresas que mantém o CAT vivo, pagando suas contas em dia e diminuindo gradativamente as dívidas do passado.

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