Lamber com a testa

Longe de apagar incêndios com gasolina, a função da imprensa é esclarecer. E apaziguar, se for o caso. Muitas vezes, seria mais fácil chutar o pau da barraca do que conscientizar. Meter o pé no balde e não precisaríamos politizar nossos cidadãos. Muitos dizem que este ensinamento é inútil, que o crioléu é analfabeto e ignorante. Até o atleta internacional Pelé uma vez falou que o povo não sabe votar e provocou polêmica. Não é. Assim acontece com o Paço Municipal.

O prefeito de Taquaritinga algumas vezes depois que assumiu o “troninho” já trocou os pés pelas mãos. Arvorou-se em decisões como se estivesse num escritório particular, o que não é bem assim. Como chefe do Executivo, as decisões são públicas e deve-se pensar no coletivo antes do pessoal. Prioridade ante a vaidade. Taquaritinga já sofreu muito com a falta de bom senso de seus administradores e agora acreditava-se que burgomestre teria jogo de cintura suficiente para driblar a crise e os problemas. Esperamos que dê a reviravolta.

Se não der, o prefeito será mais um a jogar nas costas da população as contas a pagar e as altas dos impostos. Enquanto o povo sofre com as altas taxas de desemprego, o Município arca com despesas vultosas em custos não tão imprescindíveis. Ou seria já de urgência urgentíssima, por exemplo, a aquisição do imóvel da Stéfani S/A? Na edição passada deste O Defensor, o colunista Caio Forcel, em seu espaço “No Ponto!” (Página 2), cita algumas “prioridades” da atual gestão municipal (inclusive cifras) que não teriam tanta pressa assim.

Além do tempo despendido, muitas vezes a população amarga um gasto desnecessário em coisas inúteis. Vejamos, principalmente, que serão investidos R$ 16 mil em adesivos que revestirão a frota. Não, não é piada de mau-gosto, mas a pergunta ofende: o que a cidade ganha com essa ostentação? A quem interessa os novos logotipos da administração pública, se já foram mudados em passado não muito distante? Muitas perguntas caberiam neste curto espaço de tempo e, com certeza, as respostas não agradariam a população. Enganam-se aqueles que acham que população tem memória curta.

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O atual chefe do Executivo desde o início da gestão tem tomado atitudes ousadas e, muitas vezes, polêmicas. Falou-se até de uma construção de ponte por sobre a Avenida Vicente Parise e da reativação da fonte luminosa (com suas sereias) no coreto da Praça Dr. Horácio Ramalho (que já foi Praça 9 de Julho, a pracinha dos estudantes). Mas quanto, em média, seria o custo dessas obras? Até agora os projetos ficaram tão somente na teoria e na retórica. Como dizia minha avó espanhola: olhar com os olhos e lamber com a testa.

Caso contrário, ficaremos apenas discutindo sobre o sexo dos anjos, a construir castelos de areia à beira do mar. Como é o caso fatídico do tal Calçadão que tem uma ruazinha no meio (um risco de criança ser atropelada) e tem degraus para atravessar (um risco de idoso sofrer uma queda). O atual prefeito insiste na mudança de lado do tal Calçadão, mas com que dinheiro tudo isso deverá ser realizado? Vemos a Praça Dr. José Furiati (a pracinha da Santa Casa) com 70% das lâmpadas apagadas e as pedrinhas do pavimento absurdamente soltas. Olhem o perigo que isso representa para todos os munícipes!

Como moramos numa urbe pobre, com desempregados buscando serviço desesperadamente, as burras da Municipalidade não estão como Tio Patinhas em seu tesouro na Disneylândia. Vivemos nestes tempos de vacas magras e capim seco no Paço Municipal José Romanelli e deve-se evitar de qualquer maneira o desperdício. Investir em obras que não são verdadeiramente prioritárias não é de bom alvitre e nada salutar para o bom gestor público e para o futuro de Taquaritinga e seu desenvolvimento.