‘Tolerância zero’ na penitenciária de Ribeirão Preto

A Penitenciária de Ribeirão Preto adotou política de tolerância zero para coibir a entrada de drogas nas celas. O mesmo vale para aparelhos de telefonia celular.

Com revistas mais rigorosas antes de permitir a entrada de visitantes na unidade e de pente-fino periódico nas celas, a SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) registrou queda no número de ocorrências do tipo no primeiro semestre deste ano.

Levantamento feito pela SAP a pedido do A Cidade aponta que neste ano foram 13 ocorrências de apreensão de entorpecentes contra 19 no mesmo período de 2016 – uma queda de 31,5%.

A secretaria não divulga a quantidade de droga localizada. No entanto, a reportagem apurou que foram em torno de cinco quilos de entorpecentes circulando entre as celas do presídio – entre maconha, cocaína e crack.

Neste final de semana, uma mulher foi presa tentando entrar no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Ribeirão com 100 gramas de maconha.

Celulares

Enquanto no ano passado três celulares foram apreendidos pelos agentes penitenciários, de janeiro a julho de 2017 nenhum aparelho foi encontrado em poder dos detentos.

“A política da pasta é de tolerância zero com relação à entrada de objetos ilícitos, sejam eles celulares, entorpecentes, entre outros”, consta em nota oficial.

Segundo a SAP, um dos focos do trabalho consiste na realização de um pente-fino constante nas dependências da penitenciária. Além dessa medida, a unidade conta com equipamentos como de raio-X de menor e maior porte e detectores de metal de alta sensibilidade que ajudam a coibir a entrada de equipamentos e drogas.

Punições

Segundo a secretaria, todos os presos que são surpreendidos com drogas ou celulares respondem criminalmente, além de sofrer sanções disciplinares e perder os benefícios conquistados durante o cumprimento da pena. “Deve-se observar, ainda, que visitas flagradas tentando adentrar com objetos ilícitos são automaticamente suspensas do rol de visitas e sofrem as medidas penais cabíveis”.
Agentes penitenciários ouvidos pela reportagem relatam que as revistas precisam ser feitas com muito rigor para coibir a entrada de drogas e outros objetos, mesmo que considerados legais. No caso das mulheres, a revista é feita por uma agente penitenciária feminina. Há todo um protocolo que precisa ser cumprido antes de liberar a entrada das visitas nas unidades prisionais.

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Revistas mais criteriosas

Agentes penitenciários afirmam que é preciso atenção ao máximo durante a revista para evitar a entrada de drogas, celulares e até mesmo objetos considerados lícitos.

“Não deixamos, por exemplo, que as mulheres entrem com brincos, anéis ou até mesmo fitinhas de promessa amarradas nos punhos. Dentro da penitenciária, tudo torna-se moeda de troca entre os presos”, disse uma agente, que pediu anonimato.

Ela explicou que a revista segue um protocolo rígido e eficiente para encontrar qualquer quantidade de droga escondida no corpo.

Instalação de bloqueadores de celulares

A Secretaria de Administração Penitenciária contratou uma empresa para instalar bloqueadores de sinais de aparelhos celulares nos presídios que abrigam presos líderes de facções criminosas e nas que possuem presos de alta periculosidade. Inicialmente, foram beneficiados 23 presídios, sendo que a primeira unidade no Estado de São Paulo a receber bloqueador foi a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. No início deste mês, A Cidade trouxe com exclusividade que a SAP passaria a utilizar drones – veículos aéreos não tripulados – para fazer a segurança não só da Penitenciária de Ribeirão, mas de outras instaladas na região. Segundo a secretaria, os equipamentos vão auxiliar no monitoramento mais afinado das muralhas das penitenciárias, cercas, alambrados e telhados.

*Com informações A Cidade On


Foto: F.L.Piton / A CIDADE